quarta-feira, 18 de março de 2015

Crise Existencial

Eu sou branca. Bem branca. Meio avermelhada. Na verdade sou bronzeada, precisava ver como eu ficava lá por agosto, quando morava em Curitiba! Eu não sou elite. Minha renda é apenas digna (apenas, porque não tenho nenhuma moleza não) lembrando que 40% vão para o Estado. Eu não tenho o retorno do Estado. Eu tenho pós-graduação há pouco tempo, quando conquistei certa tranquilidade financeira - (eu paguei por um bom curso) -  depois de trabalhar muito e sempre, desde os 17 anos. Meus pais têm segundo grau. Eu sou empresária. Eu sou artista.
Eu sou totalmente contra intervenção militar (acho que deveríamos é excluir a palavra "militar" da nossa vida) e qualquer volta de qualquer ditadura. Ouvi histórias inclusive da boca da minha mãe. Esta história ainda está viva. E não pode morrer nem se calar.
Sou contra o impeachment, se a Presidenta não sabia de nada. Se ela sabia, aí seria crime e eu seria a favor.
Acredito que o desenvolvimento deve chegar a todos e isso significa educação. Eu não vejo chegando a educação. Eu não vejo democracia (povo governando e não apenas falando o que pensa). Eu vejo populismo. A pátria é tudo, menos educadora.
Eu não defendo a Dilma e muito menos o Lula. Eu não defendi o FHC quando ele estava errado e muito menos o Aécio. Eu não tenho intenção nem como fugir pra Miami. Eu não sou insensível aos mendigos dormindo sob a marquise da Presidente Vargas.
Eu acho que nada vem de graça, nem o pão nem a cachaça. Eu sou trabalhadora. Eu não sou elite branca. Eu não sou preto favelado. Eu não sou coxinha. Eu não sou de esquerda. Eu não sou de direita. Eu não sou reaça. Eu não sou comunista. Eu não sou capitalista. Eu não sou cega. Eu não sou ladra. Eu não sou burra.
Eu não sei de nada. Eu apenas quero que parem de mentir e roubar o dinheiro de todos, que pode ser qualquer um, todos acima ou NDA. Inclusive eu. Aqui ou em qualquer lugar.
Mas quem sou eu e que país é este mesmo?


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Coincidências e paixões

Era dia primeiro de janeiro de 2014, mais de um metro de neve lá fora, os rapazes esquiando e nós tínhamos ficado em afazeres mais sossegados, na recuperação da ressaca de réveillon. Conversávamos filosoficamente ao redor da mesa alta, em cozinha estilo americana, num chateau que devia datar de 1800 mais ou menos. As meninas têm essa mania de entrar mais fundo nos assuntos. Falamos de filhos, dos que já existiam, da vontade de tê-los ou não. De como conhecemos nossos maridos e o que fizemos para conquistá-los e permanecer com eles. Afinal eu casei com um de outra cidade. Uma das meninas escolheu um de outro país e essas coisas mudam nosso mundo.
Eu havia passado a tarde dormindo. Passei muito mal da ressaca misturada ao jet lag, altitude e snowboard. Viajamos por quase 24 horas para chegar nesse vilarejo de menos de 400 pessoas nos alpes suíços. Chegamos no 30 à noite, esquiamos o dia todo no 31. No primeiro meu corpo deu os sinais. Sim, estou ficando velha. Este ano faço 39, meodeos, ano que vem (2015) é 40. 40!! QUARENTA!! 
Tudo, portanto, para mim já tinha um sentido filosófico. Passar o ano novo na Suíça não era nem sonho, jamais tinha imaginado essa possibilidade. Veio como uma realidade doce, simplesmente.
Foi quando entramos num assunto suave e sincero, mas que para mim caiu como uma bomba: o que te motiva? O que faz teus olhos brilharem? Qual é tua paixão?
Minha amiga falava com os dela em diamante, quando me contava que quando ela corria (é maratonista) esquecia do mundo de uma forma impressionante. Ela realmente precisava daqueles momentos sozinha em atividade para se recompor e enfrentar a vida diária com dois filhos pequenos. Eu também corro, adoro! Mas é um misto de prazer com necessidade, busca pela saúde, terapia sim. Mas meus olhos não brilham daquele jeito. Ela também falou de seu violino com os mesmos olhos brilhantes da corrida. Pensei no marido, que é escalador. Ele tem uma paixão pela montanha, pelo isolamento e, claro, pela escalada, que qualquer outra mulher mais louca e mais frágil poderia morrer de ciúmes. Ele precisa desses momentos para ter energia para os demais deveres. E eu entendo. Construímos nossa relação com base na individualidade. Somos um. Mas também somos dois e cada um tem suas preferências, suas escolhas e sua vida própria. Acho que por isso estamos há 12 anos juntos. 
E então me veio um desespero. Pelo que brilham meus olhos? Eu não tenho uma fuga que me faça sentir isso que eles sentem!! O que há de errado comigo?? Adoro cinema, mas não fico em filas de pré ou estreias. Nem vou nos fins de semana, porque me irrito com as pessoas mal educadas que falam nas salas como se fosse a da sua casa. Gosto de ler, mas sinto uma mistura de de prazer com disciplina. Não chega a ser uma paixão. 
O voltei ao Brasil atormentada com essa questão. Vou fazer 40 anos e ainda não descobri qual é minha paixão.
Vida que segue.
Há uns dois anos mais ou menos, comecei a pesquisar uma academia de sapateado. Fiz quando criança e lembro que gostava muito. Era algo que queria voltar a fazer. Saúde física e mental, que é a dança, sempre gostei, mas tinha que ser sapateado. Fiquei esses dois anos em busca do conforto de uma escola que fosse perto de casa ou do trabalho ou entre os dois. E nada. horários não batiam, aulas fraquinhas com duas ou três pessoas. Nada estimulante.
Em meados do ano, rendi-me a uma academia em Ipanema. Fora de mão, como pensei a princípio, mas pelo menos tem metrô. É especializada em sapateado norte-americano, portanto exatamente o que eu buscava e me matriculei. Já na primeira aula, apesar de me sentir um pouco perdida (27 anos separam da minha primeira vez), me joguei e adorei! E fui adorando mais e mais, saía das aulas feliz, com uma alegria gostosa e alma lavada. Topei participar da apresentação de fim de ano. Ali já percebera que tinha descoberto algo que realmente gostava de fazer. Seria esse o meu hobby do brilho nos olhos? Sim. No início de dezembro, no primeiro ensaio geral do espetáculo eu me emocionei de uma forma assustadora. Já na primeira coreografia (sem música, somente o som dos sapatos) me arrepiei e na medida que as apresentações foram evoluindo, meus olhos tentavam transbordar o contentamento e tive que segurar as lágrimas resultantes de toda aquela energia. Formação de Egrégora: muitas pessoas dançando, sorrindo, suando. Eu saí diferente daquele ensaio. Fui refletindo e me segurando no caminho até em casa e quando chego, o marido pergunta como foi e se assusta quando me debulho em lágrimas. Não se preocupe! Estou chorando de emoção! Ele, sem entender nada, ficou ouvindo a minha história - entre soluços e lenços de papel - sobre a conversa nos alpes, a busca pelo que realmente importa e nos faz bem, tudo aquilo que não tem preço. Deixei minha emoção aflorar enquanto avaliava a benção de conseguir uma resposta no mesmo ano em que me dei conta da pergunta. E prestes a completar 40 anos. Uma descoberta boba? Pode ser. Mas o bem que sinto nas minhas aulas de sapateado é o bem que quero levar a todos que amo. Não preciso nem dizer que a apresentação foi uma das coisas mais legais que fiz na vida e no final chorei feliz.
40 anos. Tudo é reflexão. E tudo é agradecimento. Só quero ser feliz, fazer coisas que eu gosto e investir nisso. Quero as pessoas que amo felizes e também vou investir nisso. Todo o resto é besteira e corrupção.


sábado, 8 de novembro de 2014

Empatia técnica

Fiquei realmente triste com o resultado das eleições (não, não há ódio ao Aécio que explique a conivência com a roubalheira geral.), mas ainda mais em perceber que estamos retrocedendo no que se refere ao respeito mútuo, a ponto de ver tantas agressões, tantas barbaridades, preconceito e o pior, ódio. Estamos todos à flor da pele. 

Estamos vindo de uma onda de ódio que explodiu nas manifestações do ano passado, passou pela constatação geral da nação de que fomos, muito, mas muito roubados mesmo com a organização da Copa, e depois o 7x1. Foi um impulso aos ânimos acirrados das eleições. Estamos todos sem paciência, cansados, com medo da violência, de não termos o salário digno que nos sustente. E como sempre, tendemos a ver somente o que os outros fazem de errado. Precisamos de tentar entender o que os leva a determinadas atitudes. Precisamos de mais empatia.

Fiquei estarrecida com a força do movimento "O Sul é o meu país", que prega o separatismo dos estados do Sul. Eu sou de Curitiba, não quero o separatismo.

Em primeiro lugar todos aceitamos tudo de bom que as regiões alheias oferecem. Suas praias, suas boas comidas, cultura riquíssima e tradições. Afirmar que a Amazônia é o pulmão do planeta e que o Rio Amazonas é o maior rio do mundo é de encher nossa vida de alegria, principalmente quando descobrimos isso lá na escola, nas aulas de Geografia. Mas a gente cresce e esquece de algumas sensações. E daí para botar a culpa nos outros é um pulo automático.

A culpa do resultado das eleições é do próprio governo que não dá educação. Dá comida. Qual é, afinal, o grande mérito de que quem nasce no Sul do país? Sorte. Você não nasce em algum lugar porque sabe e escolhe que ali é melhor. Pura sorte. Você não escolhe se vai ser um Whathefukinhowski ou só mais um Silva que a estrela não brilha. E qual o demérito de ser mais um e nascer no mais agreste dos sertões? Lutar a vida inteira por condições melhores e se a migração para o sul do país aconteceu, foi em busca do que quem nasceu ali teve de sobra, a vida inteira e de graça. Por pura sorte. Mas agora não quer dividir. Precisamos de empatia. De nos colocar mais no lugar dos outros. Para um povo que sofre o diabo com a seca e todas as limitações naturais que sua região impõe, ter comida para alimentar sua família é uma dádiva sim, e louve-se quem fez isso. Se o governo usa o ponto mais fraco de um povo para manipulá-lo, ele (o povo) é vítima, não algoz. 

Dividir o país em dois nunca foi nem nunca será a solução. O Sul tem uma excelente movimentação econômica, mas diretamente influenciada pelas outras regiões. Sem petróleo, com pouca variedade de matérias primas, seus bons portos são muito mais utilizados pelos outros estados que não tem "vista" para o mar, do que pelos próprios. Sua principal movimentação é a soja, com grande concentração de produção no Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Goiás e São Paulo. A Bunge, a maior franqueada do Porto de São Francisco do Sul fica... Em São Paulo. O Porto de Rio Grande se fortaleceu quando ganhou o estaleiro para a construção de navios e plataformas da Petrobras, depois do escândalo de corrupção do Estaleiro Atlântico Sul em Pernambuco ( = estado do Lula). E então a Dilma transferiu o saldo destituído de PE para.... seu amado Rio Grande, que agora quer devolvê-lo, portanto? O que seria do Chuí, se não fosse o Oiapoque? Iriam falar de... Cornélio Procópio ao Chuí?

Essa grandeza do Sul está diretamente ligada ao fato de o Sul ser Brasil. E mesmo assim, não é para tanto. A sua participação no PIB nacional é de 16,2%. A do Nordeste (em crescimento) é de 13,4. Considerando as margens de erro, as regiões estão tecnicamente empatadas em sua colaboração. Será que o Sul realmente conseguiria se bancar sozinho? Porque quem banca o país, como um todo, é o Sudeste (55,4%), mas que não fala em separatismo. Para quem pensou em São Paulo, imaginem um dia sem nordestinos. A cidade iria parar. Os paulistas estão muito ocupados para fazer o que os nordestinos fazem pela cidade.

Vejam, como um exemplo o modelo pronto dos EUA, país continental, maior que o Brasil, administrado como federações, com leis distintas e voto distrital que influenciam diretamente a redução da máquina governamental e consequentemente redução de deficit público e maior facilidade de isolamento e combate à corrupção. Eles são maiores que nós, como conseguem? Nós também temos que conseguir. Unidos.

Keith Haring
Precisamos de empatia, de nos colocar no lugar do outro e tentar entender o motivo de certas atitudes. Isso vale muito no nosso dia a dia, quando os outros nos irritam. Está muito difícil para todo mundo, não só para mim. Temos que lutar juntos, pelo bem da nação. Cadê aquele hino nacional cantado à Capela em todas as partes do Brasil, aliviado pelo grito final de Pátria Amada, Brasil?

Temos que unir, ajudar, colaborar, sorrir, amar mais. Temos que separar, hostilizar, destruir e odiar menos, muito menos. E se já temos um empate técnico, agora precisamos de mais empatia. Nem que seja técnica. Mas separatismo não.

terça-feira, 21 de outubro de 2014

Ignorance is bliss

Desde a primeira vez que ouvi essa música do Ramones, amei. Tradução direta: Ignorância é benção. Eu, que sempre me achei muito espertinha, refleti muito sobre essa frase, mas já era tarde demais para mim.

Realmente não saber das coisas traz muito menos exigências, mais paz de espírito, mais tranquilidade. Tentar entender esse mundo, buscar a verdade e o conhecimento só traz sofrimento e depressão.

Era muito mais fácil acreditar em Deus quando criança, naquele deus bonzinho demonstrado nos livros da Catequese ou nos estudinhos bíblicos de fim de semana. Acreditar que vamos morrer e alcançar a vida eterna num lago plácido, ao lado do bom velhinho barbudo e sereno (Deus, não o Papai Noel, mas também serviria) é um dádiva e nos faz querer viver bem direitinho, só para garantir um lugar no céu. O mesmo vale para os muçulmanos radicais que (juram) terão 30 (trinta, TRINTA!!! ou mais, dependendo do saldo da bomba-colete) virgens (VIRGENS!!!) esperando por eles, logo após a detonação. Para mim, nem precisa muito, se eu tivesse a garantia que iria encontrar minha mãe, todos meus parentes e amigos no céu e ter à disposição um freezer da Haagen-Dazs (sou facinha) por toda a eternidade, poderia pensar em uma bombinha no congresso. Mas não. Já sei que não tem sorvete e que tenho muitos amigos que nem querem se encontrar comigo no céu. Dizem que o inferno é mais divertido.

Esses tempos vi um vídeo caseiro, gravado dentro de uma comunidade, onde uma mulher bem simplesinha e desdentada afirmava categoricamente que o Evaldo (?) disse para ela que se não votar na Dilma, acaba com o bolsa família. E a eleição dessa mulher tá garantida. Ela nem vai mais esquentar com isso, porque no seu mundinho minimalista, basta votar na Dilma para a vida dela continuar boa como está. Não há questionamentos, não há dúvidas. Não há violência no seu feicibuqui. O Evaldo falou, tá falado. E o assunto e os problemas acabaram.

Outro dia, alguém me falou que uma conhecida não queria tirar o passaporte, porque nunca iria viajar mesmo. Existe algo mais fabuloso do que não sentir vontade (saudade) de viajar para bem longe? Realmente, se nunca foi a Paris, como saber o que significa Paris? Eu sofro imensamente de não poder ir a Paris todo o ano, toda semana, todo dia!! Meodeos, por quê?? Por que me deixaste ir a Paris, e descobrir o quanto é bom??

Vou nem falar sobre filosofia, champanhe ou trufas brancas.

E escrevendo aqui, descobri que essa frase é de um poeta Inglês, Thomas Gray (1716-1771): Ode on a distant prospect of Eton College. Lindo, transcrevo/traduzo a dita parte, para reflexão:



To each his sufferings: all are men,                         Para cada um o seu sofrimento: todos são homens,
            Condemn'd alike to groan —                                 Condenados igualmente para lamentar -
      The tender for another's pain,                                  A ternura pela a dor do outro,
            Th' unfeeling for his own.                                        A insensibilidade pela sua própria.
     Yet, ah! why should they know their fate,              
Ainda assim, ah! Por que eles devem saber o seu 

            Since sorrow never comes too late,                         destino,   
            And happiness too swiftly flies?                              Se a tristeza nunca chega tarde demais,
      Thought would destroy their Paradise.                        E a felicidade muito rapidamente se vai?   
      No more;—where ignorance is bliss,                     Pensei que iria destruir seu Paraíso.
            'Tis folly to be wise.                                        
     Não mais; - onde a ignorância é benção,        
                                                                                                   É loucura ser sábio.

    

terça-feira, 14 de outubro de 2014

Sério mesmo?

Está complicado. Realmente muito sinistro. Gente perdendo a linha, as estribeiras e os amigos. Agressões de vários tipos e o pior, no meu ponto de vista: completamente infundadas.
Falando sério, dá mesmo para defender a Dilma ou o Aécio?

São dois macacos velhos na política, pertencentes a dois partidos macacos velhos, que, infelizmente se revezam no poder. Todos corruptos, todos loucos pelo poder a qualquer custo. Históricos comprovados pela própria história. 
Nós brasileiros devemos ao FHC o plano real. Foi ele sim, dentro do PSDB que nos devolveu dignidade, controlou a inflação e nos (classe média) permitiu comer carne. Quem (que tenha mais de 30 anos) não se lembra dos pais recebendo o salário e indo imediatamente ao supermercado, fazer compras com 2, 3 carrinhos cheios, porque no DIA SEGUINTE já estava tudo custando O DOBRO. E de não ter leite e poder comprar apenas um litro dia sim, dia não, ou passar semanas comendo apenas frango porque não tinha carne? Peixe nem se fala. Artigo de luxo. Eu tinha apenas 10 anos e me lembro desta conversa na mesa do almoço após a aula: - Mãe, frango de novo?? Não aguento mais. Deixando minha sobrecoxa de lado e comendo apenas arroz e feijão. E os olhos da minha mãe marejando ao ver uma criança fazendo um comentário desse tipo sobre comida.
São 20 anos de plano Real. Os oito primeiros (do PSDB) foram cruciais para se estabelecer uma nova economia. Estabelecer mesmo, portanto qualquer (QUALQUER!) governo que viesse depois desse desfrutaria de estabilidade econômica e poderia pensar em alavancar outras áreas. O PT se deu bem, pois pegou um país equilibrado e mais forte. Nunca antes na história desse país, havia condições de levar outros assuntos, que não fosse só a inflação, adiante.
Aí, normal, vieram todos os problemas, anexos a qualquer poder perpetuado. Corrupção e todas as outras questões que fortalecem nosso estômago (quase um abdominal não vomitar com as notícias), mas enfraquecem nossa mente. Então votemos no Lula em 2001. Precisávamos de mudança. Tanto quanto precisamos agora. Esperança, igualdade, liberdade, viva os trabalhadores desse país, chega de domínio das elites! Até a explosão da notícia do mensalão. Eu não sei vocês, mas eu me senti extremamente traída. Lembro que pensei muito na minha mãe – falecida em 2001 –  que era fã ardilosa do Lula e que pelo menos não teve que viver esse desgosto.
“Se você pegar o mais ardente dos revolucionários e der poder absoluto a ele, dentro de um ano ele será pior do que o próprio czar.” (Bakunin 1814-1876).
Pois é, Sr. Bakunin, o senhor disse isso nos idos de 1800. Veja só!
E voltando aos 20 anos do plano Real, noves fora zero, menos oito do FHC, são 12 com o PT no poder. Também já deu, não?  Todas as quadrilhas estão articuladas, prontas e funcionando a mil. Sabemos de algumas, da maioria aposto que não. Só o que está acontecendo com a Petrobras - e pós prisão da cúpula do mensalão - já seria motivo de sobra para que o PT deixe o governo. Por que o Lula foge tão desesperadamente, há sete meses, do depoimento à Polícia Federal? E os amiguinhos da nossa presidenta? São 12 anos estreitando laços com Los Castros, Chavez, Maduros, Kirchners e afins. É preciso desconstruir estas relações, veja como estão estes países! Super bem, né? Só que não.
“Os políticos e as fraldas devem ser trocados frequentemente e pela mesma razão”. Eça de Queiróz
Na Suíça, o presidente governa por um (UM!) ano apenas e é proibida a reeleição. Por que será que eles estão ANOS LUZ à nossa frente em questões de desenvolvimento?
Eu vejo assim. Não sou PSDB, embora seja fã do FHC. Não gosto do Aécio. Acho ele um playboyzinho safado, preparado desde o berço de ouro para o papel sendo desempenhado agora. E acho igualmente absurdo as pessoas defendendo com garras e dentes, porque ele não tem moral nenhuma mesmo. E é fato que quem o festeja são os adesivos das SUVs grandes e blindadas. É um candidato dos ricos, sim, mas a economia fraquejando é o pior indício do início do declínio de outras áreas. 
Portanto, deve-se desarticular as quadrilhas prontas, revolver a terra sob os mandantes, bagunçar o coreto dos poderosos.
E ser responsável por NOVA mudança em 2018, de preferência com uma terceira alternativa, excluindo estes dois partidos que estão se revezando na nossa história de desigualdade. O Brasil é um país rico. Temos condições plenas de nos desenvolver e ter uma vida digna, com educação, saúde e segurança. 
Há que se impedir a reeleição. Ponto final.
Quando e quem vai nos tirar o nariz de palhaço? Esse sim, vou defender, lutar e brigar.
Por hora, vou mandar um “acorda!” especial a toda essa guerrilha sendo travada, a quem fica escrevendo desaforos defendendo qualquer um desses dois aí.
Isso me preocupa muito mais do que quem vai ganhar a eleição. 

quinta-feira, 9 de outubro de 2014

Somos o máximo!

Eu sempre quis fazer parte dessa turma. Ouvi uma delas dizendo.

Sim, nós somos muito legais. Havia uma época em que brincávamos muito com a expressão “modéstia à parte”. Era uma brincadeira ingênua, porque percebíamos o quão sortudas todas nós éramos em nos termos como amigas.

O que nos uniu sempre em primeiro lugar fora a diversão. E nestes momentos de descontração,  de riso frouxo ou coração apertado, acabávamos por ter conversas mais profundas e percebíamos logo a empatia que nos unia. Estilo de vida, coisas que nos norteiam e o modo de conduzir o que acreditamos.

Isso fora se espalhando, conforme uma nova amiga era apresentada a outra. E outra a outra. E a cadeia foi crescendo, ganhando adeptas, quebrando barreiras e ciclos. Fulana era amiga da Ciclana, agora é minha também. Os telefones sendo passados e cruzados, ultrapassando a ponte de apresentação entre uma e outra. Até alguém nem se lembrar como se aproximou e passou a fazer parte da vida da outra.

A distância muitas vezes reivindica seu espaço, porém apesar de simplesmente existir (distância significa espaço, às vezes simples mudança de bairro, às vezes de cidade e às vezes de país), nunca se apodera do sentimento que reina nestes relacionamentos sinceros. Nada em troca que não seja simplesmente o mesmo. E o mesmo sincero.

A amizade predomina sempre. Nem aquela que se foi tragicamente e mesmo com sua partida precoce não deixou de unir as que sobraram. Porque a vida é dos que sobram, diz o poeta. E nós que sobramos continuamos nos unindo e nos prestigiando. E consequentemente a ela.

Assim como toda paixão, a amizade necessita de dedicação. Mas não de pressão. Às vezes não é fácil regar esta florzinha. Às vezes nos falta tempo. Às vezes nos falta dinheiro. Às vezes nos falta saco. E tudo isso é normal. Só não é normal a 'preguiça, que é pior que a depressão.'

As paixões em comum, as dedicações em comum e o respeito ao incomum. E a vida fica mais leve para todo o resto.

Agora não estou chorando mesmo, mas agora mesmo estava. E de novo, elas sabem exatamente do que estou falando. 

E como "ter" amigos significa "ser" amigo, se você está lendo isso, sinta-se incluído. Está a um passo de admitir: 
- Modéstia à parte, eu também sou muito legal mesmo.

quarta-feira, 24 de setembro de 2014

Minhas melhores palavras

Bem num momento de palavras, do discurso e sua eficácia, filosofia da linguagem, suas virtudes e refutações: o aniversário.
Era momento de buscar autores, criar novos conceitos, estudar a linguística. Veio a pragmática e destruiu o pouco de poesia que me restava.
Não é possível mesmo dizer o mundo. Toda palavra é excesso. Palavras são objetos magros, incapazes de conter o mundo, dizia o poeta. Mesmo assim, deixamo-nos iludir.
Não é possível mesmo desvendar o sentimento e traduzi-lo em palavras.
Nem com as mais de 350 mil unidades lexicais da Língua Portuguesa.
Nem com as centenas de desejos felizes dos meus amigos.
A palavra é concreta. Todo o resto, não.
Adormeci mergulhada no mundo das palavras e acordei sem saber usá-las. 
Não basta dizer obrigada.
Então não direi. 
Continuarei trilhando minhas montanhas, buscando as minhas verdades, acreditando no que me faz bem viver e vivendo da maneira que acredito.
E sempre quando um novo ciclo se completar e novamente essa alegria abocanhar a minha oratória e limitar minha retórica, saberei que pelo menos a minha dialética com o mundo está sendo resolvida a contento.