quarta-feira, 26 de julho de 2017

A história de outro José

Como falar de José? 
E lembrar das virtudes, de todas as atitudes,
saber quem ele foi e ainda é? 
Suas lutas e conquistas, sua família benquista. 
E agora José? 
E agora você, que lembramos sempre,
queríamos com a gente para sempre, se desse.
De um jovem remador a um nobre torcedor.
E agora José? 
Um homem bondoso, com a esposa, carinhoso!
Por toda sua vida cuidou de sua Frida, eterna mulher.
E agora José? 
Agora os filhos que criou nos trilhos. 
Mostrou o que é certo, sempre por perto. 
Cumpriu seu dever.
E agora pai Zé? 
Para eles, exemplo,
pois manteve com o tempo sua cabeça em pé.
Investigação, loteria...
Mas ele sabia e ficou tranquilo,
pois tudo aquilo garantira-se pela boa fé. 
Passou seu recado pois foi logo lembrado 
por ser o homem que é.
Poder deitar no travesseiro e dormir um sono verdadeiro,
sem um arrependimento sequer.
E agora pai Zé? 
Honestidade e integridade:
as palavras mais lembradas pelos filhos do Zé. 
E pelo sentido de união que passou para a família. 
Casou seu filho e suas filhas com muito amor no coração!
A despeito das diferenças, ensinou suas maiores crenças. 
O pertencimento, o direcionamento 
que nos mantêm em pé.
E agora sogro José? 
Muitas vezes desconfiado,
ficou um pouco intrigado quando chegou outro Zé.
Que sem nenhuma firula pegou sua filha caçula 
e a fez sua mulher!
“Deve ser goy ou maluco esse moreno astuto,
mas ele sabe o que quer!” 
Agora todos casados, na vida, direcionados,
já pode ser o Vô Zé.
E agora Vô Zé? 
Um avô tão jovem que pelos netos se move 
e nada deixa faltar.
Suas atitudes seguras, apoiando as aventuras,
mas sem a linha afrouxar.
Enquanto eles desabrocham na sua casa no Rocha, 
fez festa, comida boa, junto com sua patroa
e viu a família crescer!
Com os netos crescendo, mudou-se para o Flamengo 
para continuar seu dever.
Hoje todos se lembram das aventuras na casa 
onde tinham asas para sonhar e viver!
Com todos os netos adultos, mal sabia do tumulto 
que ainda estava para ver!
E num claro sorriso, José tornou-se biso!
O que mais podia querer? 
E agora Biso Zé? 
Gui, Marina, Letícia, Duda, Samuca e Cecília.
O que mais podia querer? 
Porque sua alegria nunca parava.
Conheceu e amou Rebeca e Clara,
despediu-se de todos que amava
e partiu num dia de fé.
Saudades e amor eterno, José!


Para José Albagli
*09/01/1923
+13/10/2016


quarta-feira, 28 de junho de 2017

Misofonia e Positividade

Bate porta.
Arrasta móvel.
Caixa d'água.
Ré de caminhão de lixo.
Vem, vem, vem. Para!
Gato mia.
Bate porta.
Geladeira.
Ventoinha.
Criança grita.
Mãe grita.
Cachorro late.
Late.
Late.
Bate porta.
Caminhão de gás.
Caixa d'água.
Arrasta móvel.
Gato grita.
Vizinha de salto.
Kombi de ferro-velho.
Bate porta.
Vassoureiro.
Bicicleta do pão.
Ventoinha.
Festinha karaokê.
Evidências.
Bate porta.
Vizinha de salto chega.

Muito melhor que ser surdo.
(Mas, por favor, parem de bater portas!)

quarta-feira, 5 de abril de 2017

Lugar de fala

Lembranças terríveis me vieram à tona com essa campanha sobre o assédio sexual. Logo eu, que sempre me considerei uma guerreira, que sinto na pele e luto todos os dias, que faço parte da geração herdeira da “queima dos sutiãs”, que dei continuidade à luta da minha mãe pelos direitos profissionais iguais para todos.

Porém, refletindo sobre o assunto, posso afirmar, garantir e provar: é árduo.

Tenho 23 anos de carreira e nestes passei por muitos, inúmeros, incontáveis casos de assédio. Sim, tive que refletir, pois fui educada a achar que era normal. Ouvir uma frase escrota, levar uma cantada, ou um tapinha na bunda e sorrir. Talvez até tenha me manifestado contra, mas sempre com cuidado, com medo de ser demitida. Ou de achar que eu era a culpada. Sim, também já achamos muitas vezes que a culpa é nossa (vítimas). De nosso comportamento liberal, de chegar de ressaquinha no trabalho após uma noite com as amigas (normal para o sexo oposto) e achar que por isso tem menos moral. De usar um decote um pouco mais ousado ou uma calça um pouco mais justa. E achar que por isso tem menos moral. O nosso comportamento se reflete na realidade na qual somos educadas. Ledo equívoco.

Realmente não posso contar quantas vezes fui assediada indiretamente. Direta é mais fácil. Foram três. 3. TRÊS. Fui TRÊS vezes agarrada contra a minha vontade. Enfiaram a língua na minha boca. Acharam que eu queria, mas no meu ponto de vista nunca dei a entender isso. Nunca. Minha ingenuidade, simpatia, gentileza? Nunca dei algum sinal de interesse. Três vezes usaram da força masculina para me agarrar. Enfiaram a língua na minha boca. Passaram a mão no meu corpo. E apenas uma vez eu reagi de igual para igual, porque era um colega. Não havia hierarquia entre nós. Devolvi-lhe a “gentileza” com um bofetão, digno de novela. Nunca tinha batido na cara de ninguém. Violência que doeu em mim. As demais foram de um chefe e de um cliente. Desbaratinei. Deixei por isso mesmo, pois o medo de perder o emprego falou mais alto. Eu ganhava bem. Não queria sair. Tive que sorrir pro cliente calmamente e dizer que ele “entendeu” errado e se por acaso eu “dei qualquer motivo” para tal, que me desculpasse. Que ele me desculpasse. Que ELE me desculpasse? Oi? Tive que argumentar, sim, ARGUMENTAR com o chefe sobre o porquê de não querer sair com ele. Tive que conversar e explicar por que eu não queria nada com ele. Tive que tentar convencê-lo de que eu não queria. Tive que perder meu tempo explicando. Minhas simples escolhas e liberdade não eram suficientes para refutar uma relação que eu simplesmente não queria ter. E não era obrigada a ter. E sim, na minha ingenuidade dos 20 e poucos anos, me senti lisonjeada por ser a escolhida do chefe. Jovem! Ignorância para lidar com a situação e para tentar me convencer de que aquilo não era um problema, de que não foi tão ruim assim. Tentar me convencer de que não foi ruim. Foi ruim. Foi péssimo.

Precisei de muito amadurecimento e lições de vida para chegar à conclusão de que tudo isso é totalmente indevido. Totalmente. Nenhum decote, nenhuma saia, nenhuma calça justa, nenhuma simpatia ou gentileza justificam esse tipo de atitude. Nenhum cabelo ao vento. Nada.

Então se você é homem e nunca assediou ninguém no ambiente trabalho, ótimo, continue assim.

Se já o fez, simplesmente pare. Respeite.

Se já sofreu assédio alguma vez, posso apostar que foi pontual e que você achou graça. E que isso é apenas reação a uma ação. Pagar com a mesma moeda. Não é certo, mas é uma resposta imediata. E sem comparação.

Portanto, se você é homem não compare, não critique, não questione, não desdenhe ou ignore esta ou qualquer outra campanha contra o assédio ou a cultura do estupro. A realidade é muito mais cruel do que a TV Globo.

Você não tem a MENOR IDEIA do que é passar por isso a sua vida INTEIRA, refletindo e lutando pelos direitos profissionais iguais para todos. Não chegamos nem na metade da guerra. Mas você simplesmente não entende nada disso. Se não apoia, por favor fique em silêncio. Sobre isso é a nossa vez de falar.

quarta-feira, 13 de julho de 2016

Alegria X Perrengue: o balanço da vida.

Nem tudo são flores. Havemos de convir que a vida é uma eterna solução de conflitos. Vivemos para resolver problemas. Matamos um leão por dia e treinamos para não sermos a última gazela do bando, caso o leão não tenha morrido. Contudo, ainda vale a pena quando é pelo menos 60% alegria e 40% perrengue. Como quando você vai subir a montanha em um dia lindo de inverno. É muito mais alegria, mas – claro – também tem uma pitada de perrengue. Fato. Aí chove. E te molha. E esfria. E inunda o caminho. E desmorona. O passeio que antes era 80x20 vira 20x80. Estragado está.

Quando a gente nasce, a vida é 100% alegria. A gente mama, dorme, faz xixi, come, faz cocô, dorme, todo mundo nos ama e nos protege e é só alegria.

Conforme vamos crescendo, esse balanço vai, ao poucos, invertendo-se proporcionalmente. Perto de um ano de idade, quando começamos a aprender o significado das palavras, começamos a entender a primeira frase desta publicação. Nem tudo são flores. Por que é que nos falam tanto ‘não’? Mas ainda contamos com uns 95% de alegria, pois somos fofos o suficiente para que não se aumente o perrengue. Porém, um tantinho mais que isso já provoca a necessidade dos nossos pais da rígida educação. Com dois ou três anos já temos que arrumar nossas bagunças. O que antes era uma fantasia, jogar tudo no chão e depois ir dormir, começa a dar lugar ao saquinho cheio da organização. 90x10.

Quando iniciamos a jornada estudantil é que o placar se altera drasticamente. Ir à escola, entender independência (aprender a se defender, fazer amiguinhos), lição de casa, enxugar os dedos dos pés e – o pior – acordar cedo fazem o placar da alegria deliberadamente despencar. 75x25. 5.ª Série/6.º ano, abaixa mais um pouco. 70x30.

Na adolescência esse placar sofre um severo revés, ratificado pela sensação hormonal de que a vida é uma merda. Por que afinal estamos aqui? Quem foi que teve essa ideia?? Chegamos a conviver com o perrengue como vencedor, com mais de 60%, certamente, porque ninguém nos entende e tampouco nos dá alguma resposta. Só a nossa BFF. E ainda temos que lavar a louça.

Passada essa fase, voltamos a andar na linha balanceada de 60-70 x 40-30, com algumas baixas, claro. Mas quando somos jovens acreditamos que o mundo é bom (há mais de 5000 anos que não é...), que as guerras e a violência gratuita vão acabar, que a corrução vai ser punida, que o Brasil vai crescer, que tudo vai dar certo, que vale a pena lutar. Uh!

Aí, chegamos à idade adulta e deixamos de lado alguns sonhos da juventude. Vamos aprendendo que pouco muda, principalmente neste nosso país, onde já passamos por muita coisa ruim que não serviu para nada. Nada. "A história se repete mas a força deixa a história mal contada." Ainda por cima, somos democraticamente obrigados a votar e perdemos o direito de entrar na cama elástica e na piscina de bolinhas. Crescer é perrengue garantido.

Aí a gente vai perdendo a fé. E percebendo que a vida, na verdade, é muito mais perrengue (60-70%) do que alegria (30-40%). Exceto por alguns “momentos felizes” em que voltamos a acreditar – enquanto durar o porrete – que a vida é bela. Aí a ressaca do dia seguinte devolve na sua cara uns 80% de perrengue da vida.

E a gente segue nessa luta. Balanceando. Buscando. Alimentando o que nos faz bem para que se viva pelo menos em um empate com a alegria.

Embora em nosso último suspiro a gente se encontre em 99% de perrengue (100 deve ser a morte), que por um milagre possamos recordar apenas das coisas boas e inverter naturalmente aquele instante, acreditando que tudo foi simplesmente bom.

(Se você discorda e acha que sua vida é 100% alegria, pare de tomar o remedinho e olhe para o lado. Não dá para ser mais de 50% feliz com mais de 50% da população mundial em 100% de perrengue.)

'I gotta tell you It gets better
every day you stay alive
and I'm amazed
every day that the sun decides to rise
every minute, every hour is another chance to change
LIFE IS BEAUTIFUL and TERRIBLE and STRANGE.'

sexta-feira, 1 de julho de 2016

Sobre proteção, amor e sacudidas na cabeça. Para Liz.

O ciúme chega junto com o bebê mais novo, claro, principalmente para outro bebê de apenas dois anos, dois meses e quase vinte e dois dias, como costumamos dizer. Mas depois de um tempinho, a compreensão despercebida de que nascia ali uma parceria para toda a vida começa a tomar lugar naquele seu coraçãozinho ingênuo.

Eu tinha apenas poucas semanas de vida e chorava no berço, quando você tirou toda minha roupa e me pegou apenas segurando pelo meu pescoço – que era o que seus pequenos bracinhos conseguiam abraçar - deixando minhas perninhas balançando, quase tocando o chão frio da casa: - O neném tá chorando, mamãe! E a mãe desesperada, tentando não demonstrar para que você não se assustasse e me deixasse cair.

Depois, danada que você era, me tirava do berço à revelia da mãe, para brincar comigo na cama e me ensinar minhas primeiras palavras: ca-mi-o-ne-te. Acho que devo ter falado ‘mamãe’ primeiro, mas eu ria como gente grande, segundo relatos.

Esse coração mole aí me ensinava e me cuidava, enquanto este coração duro aqui retribuía em mordidas ferozes. Mas você era incapaz de revidar e machucar o neném. Desculpe-me por isso.

Ou não.

Os anos vão passando e a tomada de ciência do tamanho e de quem manda também uma hora chega. E então você se aproveitava disso quando começava a me inticar e me cutucar às escondidas, ou me convencer a fazer as coisas “primeiro”, pois eu acreditava que você também faria. Mas, na cara dura, você me deixava a lição implacável de nem sempre poder acreditar nas pessoas.

E quando na sua escola entravam mais cedo, você começava a descontar em mim suas angústias pré-adolescentes e me acordava quando saía para aula, com sacudidas e pancadas na cabeça. Aquilo é uma das piores lembranças que tenho da nossa infância, junto com os xingamentos horríveis porque eu não ia na bola da cortada sua ou do Tio Milico no vôlei. Claro que eu não ia. Eu sempre fui CDF, portanto esperta o bastante para saber que aquilo doeria. E eu ia embora chorando, mas ali percebia que eu ainda era uma criança e você já pensava em namorar. Danadinha.

Depois, quando novamente nos “igualamos”, fazíamos quase tudo juntas. Lembra de quando cortamos e pintamos o cabelo igualzinho para dizer para todo mundo que éramos gêmeas? E muitas pessoas acreditavam. E ficávamos conversando por horas antes de dormir, tentando entender as razões dessa vida. Guardando segredos, protegendo-nos mutuamente dos pais, dos meninos, do mundo.

Histórias são milhares, são ‘entas’ anos de irmandade, ratificando sempre esse elo que eu não tenho com mais ninguém. E apesar de sermos completamente diferentes, não há pudor, não há restrições, não há papas na língua entre nós. Nossa relação é aberta, direta, intensa e ao mesmo tempo tão easy goingrelax, divertida.


Hoje é seu aniversário e eu queria deixar registrado este amor único que tenho por você. O meu desejo mais forte é que você se cuide e tenha saúde para continuar comigo esta empreitada neste mundo louco, difícil e injusto, onde além de tudo já percebemos que somos uma para outra aquilo de mais precioso que ficou da nossa própria mãe, o que mais nos fortalece.

Feliz aniversário! Amo você!


sexta-feira, 27 de maio de 2016

Porque eles são chineses.

- Por que, Tai-pan?
- Porque eles são chineses.
- Não compreendo.
- Eu sei, rapaz. A primeira coisa que é preciso compreender: durante cinquenta séculos, os chineses vêm chamando a China de Império do Meio, a terra que os Deuses colocaram entre o céu, acima, e a terra, abaixo. Por definição, um chinês é um ser de superioridade sem igual. Todos eles acreditam que qualquer outra pessoa, qualquer, é um bárbaro e não deve ser levado em consideração. E que eles, sozinhos, como habitantes da única nação realmente civilizada, têm o direito divino de dominar a terra.
(...) 
E não desistirão até nos expulsarem.
- Por quê?
- Porque eles são chineses."
(Tai-Pan - James Clavell)

E então havíamos chegado em Beijing, já com um atraso de início, até então sem muitas explicações, mas imediatamente compreendido. Porque eles são chineses. Fizeram do jeito que quiseram, "eles nos pagam para dar consultoria e dizer o que fazer, mas quando os instruímos, não nos ouvem. E agora nós que temos que correr atrás do prejuízo, resolver os problemas para que tudo saia conforme o planejado."

Problemas nos materiais made in China, estruturas mal construídas, falta de engenharia e de alguns planejamentos. Trabalho consequentemente prejudicado.

No primeiro dia de chuva, a prova real de que a tenda não estava funcionando bem. Chovendo dentro, vento do Norte, e os chineses querendo que houvesse espetáculo de qualquer maneira.

Realmente tudo acontecendo da forma muito estranha. Normalmente os negócios são feitos por duas ou mais partes e devidamente respeitados, com algumas exceções, claro, mas conforme o acordo prévio. Mudanças e aditivos ou reduções durante o processo não costumam ser unilaterais, mas resolvidos e acertados por todas as partes envolvidas.

Mas percebemos que não é isso que está acontecendo. Apesar do encantamento com a sabedoria, com a organização, com a cultura milenar, o susto inesperado. Porque eles são chineses.

E de repente, um cancelamento da próxima cidade para ajustes da produção.

E de repente, um pedido inesperado de tempo, com o jogo já rolando.

E de repente, somos todos mandados de volta pra casa. Para retornar em um mês. Ou dois. Ou não. Vai saber. 

Porque, afinal, eles são chineses!

(Deve ser por isso que um dos maiores sábios deles se chama "Confucius" e a mão dele faz igual àquela vovozinha da propaganda do supermercado: 
- Eu quero é preço!!)


segunda-feira, 23 de maio de 2016

Parasitas assassinos


“Só porque um parasita não é um urso, tigre ou algum outro grande predador, isso não significa que ele não pode ser tão mortal. Às vezes, as menores criaturas acabam por serem os maiores monstros.”

Começou com uma dor de cabeça meio estranha. Algo que comi, pensei. Estar na China há poucas semanas e achar que vai passar incólume a todas as adaptações também é demais né. Ok, descansa um pouquinho, dorme um pouquinho, já passa. Transforma-se numa febre baixa. Sensação de febre é horrível, mas já sem dor de cabeça. Parasitas assassinos!!

Bendito Novalgina, importado do Brasil. Dá um suador da gota, mas é eficaz.

Segundo dia, a febre volta. Estranho.

Terceiro dia, a febre volta. Só febre. Nenhuma dor. Nenhum sintoma, nem tosse, nem nariz escorrendo. Nada. O medo começa a tomar conta da pessoa ocidental. Parasitas assassinos!! Quem manda assistir tanto Discovery?

Quarto dia, febre volta com dor nas costas irradiando para o braço esquerdo. Infarto? Mas não dói o peito! Pneumonia química? Mas não dói de respirar? Nem tosse. E a febre aumenta. Quatro dias deitada, claro que dei um mau jeito.

Quinto dia. Febre e com ela a mente ignorante seguida pelo doutor Google, mas sem muitas referências. Parasitas assassinos!!

Sexto dia, desisto do Novalgina. Malditos parasitas assassinos, agora é nóis, no mano a mano! Quero ver quem ganha. E mando-lhe meus leucócitos com toda força do mundo. Passo uma noite do cão, mas acordo sem febre.
 
Venci, penso feliz e vou passear. Ando 6 km (que ideia!) e volto pra casa com febre, claro. Encaro de novo e venço de novo. Ainda não sei o que vai acontecer, hoje é o sétimo dia, mas quando ficamos doentes a mente fragilizada prega peças absurdas e na minha, abençoada por certa criatividade, diagnostiquei-me com tudo. Mas minha conclusão PhD é de que é apenas uma virose chinesa, causada por algum parasita, mas que não é assassino. Espero que seja gente boa, como a maioria dos chineses que conheci aqui.